Introdução:
Aparentemente seres humanos simples como nós, mas interiormente jovens confusos, cheios de medos, inquietudes, pessimismo, desamor ou amor exagerado? Eis algumas das características dos autores do ultra Romantismo, todos jovens e ao mesmo tempo fascinados por um único tema, A MORTE.
A insatisfação perante a realidade, servia como motivação para os mesmos, que levavam um vida boêmia e desregrada resultando na antecipação de vossas mortes.
Os jovens Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire representam essa fase em nossa Pátria, eles descreviam suas angustias, tristezas desesperos e tédio, fazendo-nos conhecer hoje todos os seus sentimentalismo, porém ainda incompreendidos.
Ao ler cada poema desta geração, ficam em nós postergações que jamais serão esclarecidas, mas a principal certeza é que a morte é para todos.
Nasci em 12 de Setembro de 1831 na cidade de São Paulo (SP), filho do Dr. Inácio Álvares de Azevedo e de D. Luíza Azevedo, passei a minha infância na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro.
Com a meta de estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, retornei á São Paulo em 1847, destaquei-me entre os muitos outros estudantes pela minha facilidade de aprender línguas e pelo espírito jovial e sentimental.
Sou patrono da Cadeira nº2 da Academia Brasileira de Letras. Como era de costume daquela época escrevia alguns poemas com um tema tão desejado para alguns, e extremamente temido para outros, A MORTE, mas eu apenas descrevia o desencanto da minha inútil vida.
Eram os versos sombrios e cinzentos que me faziam feliz em meio a tanta tristeza de uma vida boêmia e desregrada, que por sinal não durou muito. Pois em 25 de Abril de 1852 =, aos 21 anos vim a óbito decorrente de uma tuberculose que foi agravada por um tumor na fossa ilíaca, ocasionada por uma queda de cavalo.
Mas no dia anterior a minha morte deixei os seguintes versos para vós leitores, afim de que recordem deste simples jovem chamado, Manuel Antônio Álvares de Azevedo.
Eternamente,
Álvares de Azevedo
Se Eu Morresse Amanhã (Álvares Azevedo)
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã,
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda ti natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã,
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda ti natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
Olá, meu nome é Luís Junqueira Freire, ou apenas Junqueira Freire. Nasce em 31 de dezembro de 1832 em Salvador. Sempre fui à busca dos meus sonhos e me formei professor aos 20 anos, período da minha vida onde ensinei e aprende muito. Mas como a vida terrena não é eterna, faleci em 24 de junho de 1855, após a publicação das Inspirações do Claustro minha obra mais conhecida juntamente com Contradições Poéticas. Em fim, parti, mas deixei um pouco da minha vida em forma de poesias para que eu pudesse sempre ser lembrado.
MEU FILHO NO CLAUSTRO
CANÇÃO MATERNA
Eu não sou tua mãe que te préza?
Tu não vês meus cuidados maternos ?
E me escondes as dores que sentes?
Não sei eu teus desgostos internos ?
Eu te disse, meu filho, eu te disse
Que jamais te apartasses de mim.
Tu quiseste, meu filho, tu foste,
Tu agora padeces assim.
Tu deixaste meu seio materno,
Tu deixaste teu pae tam doente!
Vê teu pae, como, gasto de angustias,
Chora e geme — perdido e demente.
Tu deixaste os logares da infância,
Mais as flores do nosso jardim.
Já não brotam, não cheiram as flores,
Já não deitam perfumes assim.(...)
Tu não vês meus cuidados maternos ?
E me escondes as dores que sentes?
Não sei eu teus desgostos internos ?
Eu te disse, meu filho, eu te disse
Que jamais te apartasses de mim.
Tu quiseste, meu filho, tu foste,
Tu agora padeces assim.
Tu deixaste meu seio materno,
Tu deixaste teu pae tam doente!
Vê teu pae, como, gasto de angustias,
Chora e geme — perdido e demente.
Tu deixaste os logares da infância,
Mais as flores do nosso jardim.
Já não brotam, não cheiram as flores,
Já não deitam perfumes assim.(...)
Sou Luís Nicolau Fagundes Varella, nasci em 17 de agosto de 1841 em Rio claro (RJ), filho do magistrado meu queridíssimo pai, Emiliano Fagundes Varella e de Emilia Andrade, ambos da alta nobreza carioca. Eu passei a minha infância na fazenda Santa Rita e na vila São João marcos, foi uma infância inesquecível.
Fui um poeta romântico e boêmio, considerado um dos maiores expoentes da poesia brasileira. Após o falecimento do meu Emiliano, meu primeiro filho que me fez feliz apenas por três meses período que durou a sua vida, eu fiz um belo poema Cântico do calvário. Estava movido por aquela tristeza que parecia eterna e então entreguei-me ao alcoolismo.
A cada embriaguez uma obra nova e a cada obra escrita uma revelação de uma vida cheia de dores e sofrimento. Faleci aos 33 anos de vida, vivi pouco para ser lembrado eternamente, mas vivi muito para sofrer amargamente.
Hoje sou apenas pó esquecido, mas para você caro leitor deixo os meus escritos para que recordes de minha existência.
“Mas não! Tu dormes no infinito seio
Do Criador dos seres! Tu me falas
Na voz dos ventos, no chorar das aves,
Talvez das ondas no respiro flébil!
Tu me contemplas lá do céu, quem sabe,
No vulto solitário de uma estrela,
E são teus raios que meu estro aquecem!
Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!
Brilha e fulgura no azulado manto,
Mas não te arrojes, lágrima da noite,
Nas ondas nebulosas do ocidente!
Brilha e fulgura! Quando a morte fria
Sobre mim sacudir o pó das asas,
Escada de Jacó serão teus raios
Por onde asinha subirá minh'alma.”
Do Criador dos seres! Tu me falas
Na voz dos ventos, no chorar das aves,
Talvez das ondas no respiro flébil!
Tu me contemplas lá do céu, quem sabe,
No vulto solitário de uma estrela,
E são teus raios que meu estro aquecem!
Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!
Brilha e fulgura no azulado manto,
Mas não te arrojes, lágrima da noite,
Nas ondas nebulosas do ocidente!
Brilha e fulgura! Quando a morte fria
Sobre mim sacudir o pó das asas,
Escada de Jacó serão teus raios
Por onde asinha subirá minh'alma.”
Trecho do poema Cântico do Calvário
Sou Casimiro José Marques de Abreu, nasci em 4 de janeiro de 1839 em Capivary,sou filho do abastado comerciante e fazendeiro português José Joaquim Marques de Abreu e de Luísa Joaquina das Neves, uma fazendeira de Capivary. A localidade onde vivi parte de minha vida foi em Barra de São João, que hoje é chamada de "Casimirana", em minha homenagem. Aos treze anos, transferi-me para o Rio de Janeiro para trabalhar com o meu pai no comércio. Com ele, embarquei para Portugal em 1853, onde entrei em contato com o meio intelectual e escrevi a maior parte de minha obra. O meu sentimento nativista e as saudades da minha família escrevi: "estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria".Tornei-me conhecido por representar a sensibilidade brasileira espontânea, também fui conhecido como "poeta da infância", pois gostava de falar da inocência perdida, mas os temas que sempre gostei de trabalhar foram “romantismo descabelado”: exílio e lirismo amoroso. Faleci por estar tuberculoso no dia 18 de 1860 em Nova Friburgooutubro. Porem deixei uma parte de minha história para sempre ser recordado.